Wood Chat: a voz da Amazônia que cruza fronteiras pela inovação sustentável

A startup acreana leva a tecnologia e a inteligência artificial para o centro das discussões globais sobre sustentabilidade e justiça climática.

Do coração da Amazônia, uma inquietação transformou-se em propósito. Fernanda Onofre, engenheira civil e então diretora de obras, começou a se questionar sobre o impacto que poderia gerar além da construção. A resposta surgiu na Wood Lab, empresa-mãe que deu origem à Wood Chat, solução criada para unir inteligência artificial, Amazônia e educação.

Com menos de dois anos de existência, a Wood Chat tem se destacado no cenário nacional e internacional por desenvolver tecnologias que fortalecem a rastreabilidade e a sustentabilidade do comércio florestal, conectando empresas, instituições e comunidades amazônicas a mercados mais conscientes e exigentes.

O impacto dessa atuação já foi reconhecido em diversas frentes: presença no Web Summit Lisboa 2024 e no Web Summit Rio 2025, selecionada para o BNDES Garagem (primeira fase), finalista dos programas Sebrae Capital Empreendedor e InovAtiva de Impacto, além de outras premiações, entre elas, 1º lugar no Prêmio “Desafio WhatsApp pela Amazônia” by META, o 1º lugar no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2025 (categoria Ciência e Tecnologia), 2º lugar no Programa Mulheres Inovadoras/FINEP – Região Norte, e o reconhecimento entre as 1000 startups mais inovadoras do Brasil pelo Sebrae Startups.

No centro dessa trajetória está Violeta, a assistente virtual da marca, carinhosamente chamada de “professora da floresta”. A inteligência artificial conversacional, disponível via WhatsApp, promove educação ambiental interativa, aproximando conhecimento e preservação de forma acessível, criativa e humanizada.

Em novembro de 2025, a Wood Chat retornou ao Web Summit Lisboa, o maior evento de tecnologia do mundo. Após uma semana de conexões, pitches e imersão no ecossistema europeu, a startup foi selecionada para um programa de internacionalização de nove meses em Lisboa, pela ApexBrasil. 

No mesmo mês, a jornada se estende até o Chile, onde Fernanda representará o Brasil em um programa de incubação internacional promovido pela Embaixada do Brasil em Santiago e pelo Centro de Inovação Anacleto Angelini da Pontifícia Universidade Católica do Chile (UC Angelini). A imersão inclui mentorias, workshops, visitas a centros tecnológicos e sessões de matchmaking com investidores e parceiros estratégicos.

O cenário global reforça a relevância desse movimento. Segundo relatório do FMI, o mercado de IA aplicada à sustentabilidade ambiental deve atingir cerca de US$ 19,8 bilhões em 2025, com previsão de crescimento para US$ 120,8 bilhões até 2035. Para a Wood Chat, esse panorama representa uma oportunidade estratégica de posicionar-se como elo entre tecnologia, rastreabilidade e bioeconomia florestal.

Essas missões internacionais refletem um propósito contínuo: levar a Amazônia para a mesa das decisões globais sobre sustentabilidade e impacto. Como afirma Fernanda Onofre, CEO da Wood Chat: “A Amazônia precisa estar presente nas conversas que definem o futuro do planeta. Cada conexão internacional é uma oportunidade de aprimorar nossas soluções e ampliar o alcance da nossa mensagem sobre justiça climática e inovação sustentável.”

Atualmente, Fernanda é aluna especial no Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB). Está cursando a disciplina Energia e Desenvolvimento Sustentável e já concluiu Mudança do Clima com nota máxima. Esse caminho na universidade faz parte de um sonho maior: ingressar como aluna regular do mestrado e seguir sua trilha de pesquisa sobre Amazônia, justiça ambiental e responsabilidade sociotécnica, temas que ela já vive na prática com a Wood Chat, mas que agora deseja aprofundar com bases técnicas e científicas ainda mais sólidas.

O CDS se tornou para ela um ponto de encontro entre mundos: o conhecimento tradicional da floresta que carrega desde a infância no Acre, a ciência que busca compreender a complexidade do clima e da biodiversidade, e a tecnologia que abre portas para novas soluções. Ali, encontrou acolhimento, debate qualificado e uma rede de pesquisadores que olham para o desenvolvimento com sensibilidade humana e compromisso social.

Sua pesquisa segue um fio condutor claro: entender como a inteligência artificial pode ajudar a identificar espécies de madeira amazônica com precisão, evitando ilegalidades, fortalecendo a transparência e apoiando quem vive da floresta com responsabilidade. É um estudo que une técnica e cuidado, respeitando o território e valorizando uma economia que se sustenta sem destruir.

No fundo, essa jornada acadêmica e empreendedora nasce do mesmo lugar: da vontade de proteger a Amazônia e garantir que o conhecimento sobre ela chegue às pessoas certas, no momento certo, de forma simples e transformadora.

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